IMPLICAÇÕES DA MODIFICAÇÃO NAS RELAÇÕES DE TRANSMISSÃO DOS BUGGYS

Jairo Gutterres, Heraldo Fraga

    Os veículos utilizam um sistema de transmissão do movimento rotativo do motor para as rodas através de engrenagens, composto por uma caixa de câmbio e um diferencial. Esses componentes são capazes de entregar a potência para as rodas, de acordo com a necessidade do veículo, podendo privilegiar tanto a força (maior redução), quanto a velocidade (menor redução). A vocação, as circunstâncias de uso, e a potência do motor, previstos pelos fabricantes para cada veículo, determinam a sua relação de transmissão, isto é: o quão reduzida deverá ser a transmissão.

    A maioria dos buggys utiliza motores de 1600cm3, refrigerados a ar, que originalmente operavam em fuscas ou Brasílias, veículos que utilizavam caixas de câmbio de quatro marchas com a relação de diferencial 8 x 33 (4,125). Por esta razão adotaremos nesta análise o pneu 175/80 14 da Brasília como padrão de referência para as relações de transmissão.

    A natural adoção de pneus maiores na traseira dos buggys  torna mais longa a relação de transmissão, diminuindo proporcionalmente a força disponível do motor. Não podemos deixar de considerar que os buggys pesam em média 700 kg. A Brasília é 27 % mais pesada (890 kg). O baixo peso dos buggys minimiza o efeito dos pneus maiores, e é por isso que na maioria das situações apresentam desempenhos satisfatórios, a despeito dos pneus maiores.

    Alguns proprietários que têm interesse em melhorar a performance fora de estrada, buscam reduzir a relação de transmissão através da instalação de diferenciais  mais reduzidos,  tais como os 8 x 35 (4,375) originais dos VW 1300, 7 x 31 (4,429) dos VW 1200, ou 7 x 36 (5,143) da Kombi).

    Até que ponto podemos aumentar esta relação de transmissão sem deixar o buggy excessivamente reduzido? Depende muito do tamanho do pneu adotado e do propósito de utilização.

    - Se o propósito for andar exclusivamente fora de estrada, este receio pode ser pouco relevante, especialmente para quem possui o hábito de rebocar o buggy no asfalto.

    - Por outro lado, para os que desejam que o buggy continue tendo um desempenho razoável em estrada, e levando-se em consideração o seu menor peso, parece razoável manter-se uma relação final de transmissão que promova uma velocidade de deslocamento, em relação à rotação do motor, não menor do que a velocidade oferecida pela Volksvagen.

    Com o propósito de avaliar o efeito dessas alterações (diâmetro do pneu e relação do diferencial) elaboramos o quadro abaixo, no qual podemos comparar as rotações das rodas e as velocidade atingida em quarta marcha com rotação do motor a 2500 rpm, para quatro modelos de pneus na traseira, e três relações de diferencial.

ScreenShot393

    A 2500 rpm do motor, as condições originais colocariam o VW Brasília a uma velocidade de 81,6 km/h. Constata-se que o uso de pneus 31/10,5 15 em lugar dos 175/80 14 (da Brasília) resulta em uma relação 24 % mais longa, e que este alongamento da transmissão pode mesmo ser compensado através do uso do diferencial de Kombi (7 x 36), que é 24,6% mais reduzido. Nessas condições a velocidade calculada para a 4ª marcha com o diferencial 7 x 36 (81,1 km/h) é praticamente igual à velocidade calculada para o uso de pneus 175/80 14 com diferencial original (8 x 33). Logo, esta prática torna o buggy tão reduzido quanto Brasília, cujo peso é 27% maior.

    Se ao invés de pneus 31/10,5 15, a opção fosse por outros de menor diâmetro, o efeito da adoção do diferencial reduzido seria mais expressivo: com 255/70 15, por exemplo, a velocidade cairia para 76 km/h, o que significaria uma redução de 7 % em relação à Brasília.

    Levando em consideração o baixo peso dos buggys, merece atenção a possibilidade de adoção do diferencial do VW 1300 (8 x 35), ligeiramente mais reduzido do que o do VW 1500 e Brasília, mas muito menos do que o da Kombi. Nessas condições pode-se melhor distribuir a potência do motor em marchas reduzidas, sem abrir mão da velocidade em estrada.

    Isto posto, resta concluir que considerando a potência do motor de 1600 cm3 e o baixo peso dos buggys, a opção de adaptação de uma relação de diferencial de kombi deve considerar o uso efetivo fora de estrada, pois pode em muitas situações resultar em excessiva ou desnecessária redução, com influência no conforto e no prazer de dirigir em rodovias.

Esta entrada foi publicada em Dicas, Publicações e marcada com a tag , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *